Notícia: Anuário da Educação Básica 2026: Enem indica que atratividade da carreira docente é desafio para políticas públicas

Anuário da Educação Básica 2026: Enem indica que atratividade da carreira docente é desafio para políticas públicas

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13ª edição da publicação, elaborada pelo Todos Pela Educação, Fundação Santillana e Editora Moderna, traz dados e séries históricas dos últimos 10 anos sobre aprendizagem, acesso, trajetória e infraestrutura no Brasil e estados; lançamento oficial está marcado para 22 de setembro, no 10º Congresso de Jornalismo de Educação da Jeduca

Apenas 14,7% dos ingressantes em cursos de licenciatura com notas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) estavam entre os 20% de melhor desempenho na prova de 2024. Na comparação, no curso de Direito, os ingressantes de maiores médias eram 32,6%, e, em Medicina, somavam 81,2%. Esse é um dos recortes sobre professores e carreira docente da 13ª edição do Anuário Brasileiro da Educação Básica 2026, elaborado pelo Todos Pela Educação, Fundação Santillana e Editora Moderna. A nova edição será lançada no dia 22 de setembro, e contará com uma oficina no 10º Congresso de Jornalismo de Educação da Jeduca, em São Paulo.

O Anuário apresenta, de forma inédita, a trajetória de queda do percentual de ingressantes em licenciatura dentre aqueles com maiores notas no Enem (5 - quintil superior). Em 2020, 22,7% dos que estavam ingressando em cursos voltados à Licenciatura estavam no quintil superior. Três anos depois, em 2023, o grupo atingiu o menor percentual (14%) da série registrada desde 2018, até chegar, em 2024, nos 14,7%. Os dados foram obtidos a partir dos microdados disponibilizados na sala de segurança do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas (INEP), extraídos em março de 2026.

Além da atratividade da carreira docente, outro desafio evidenciado pelo Anuário é a formação inicial dos professores. Em 2025, apenas 20,2% dos concluintes dos cursos de licenciatura avaliados atingiram o nível adequado, enquanto 42,2%
 
ficaram abaixo do nível básico no Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade). A situação é ainda mais preocupante entre os estudantes de cursos a distância: 53,1% ficaram abaixo do nível básico, contra 26,1% na modalidade presencial.

"Os dados apresentados no Anuário mostram que o Brasil ainda não conseguiu consolidar aquilo que caracteriza os melhores sistemas educacionais no mundo: políticas docentes capazes de atrair estudantes de alto desempenho para a carreira, oferecer uma formação inicial que prepare efetivamente para o exercício da docência e garantir remuneração e carreiras capazes de desenvolver, valorizar e reter bons professores ao longo do tempo", explica Gabriel Corrêa, diretor de Políticas Públicas do Todos Pela Educação.

Mais destaques do Anuário 2026

Acesso e desigualdades na Educação Infantil

Em 2025, o Brasil alcançou a marca de 43,3% das crianças de O a 3 anos matriculadas na Educação Infantil. O novo patamar representa um avanço de 2,2 pontos percentuais em relação ao ano anterior (2024) e de 12,7 p.p. em relação a 2015. O atendimento de crianças de 4 a 5 anos chegou a 96,1%. Embora ainda não universalizado, o acesso nessa faixa etária obrigatória ficou perto da meta do Plano Nacional de Educação e alcançou o maior resultado da série histórica.

Apesar do avanço, os dados trazidos pelo Anuário reforçam um desafio que demanda alerta: as desigualdades começam muito cedo no país. O atendimento de O a 3 anos é de apenas de 34,7% entre os mais pobres contra 54,7% entre os mais ricos.

Desigualdades étnico-raciais na trajetória dos estudantes

A desigualdade se perpetua também nos recortes étnico-raciais. Em 2025, enquanto 92,1% dos jovens brancos e amarelos já haviam concluído o Ensino Fundamental aos 16 anos de idade, somente 86,3% dos pretos, pardos e indígenas conseguiram finalizar a mesma etapa. No Ensino Médio, a diferença é ainda maior. No mesmo período, 81,7% dos jovens brancos e amarelos haviam obtido o diploma de conclusão aos 19 anos de idade. Entre pretos, pardos e indígenas o número cai para 69,5%;

Aprendizagem

Entre os indicadores de aprendizagem, o Anuário já inclui os resultados da edição 2025 do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), divulgados pelo lnep, em agosto. Nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental, por exemplo, os dados mostram que 11% dos alunos do 5° ano da rede pública estavam no nível abaixo do básico em
 
Língua Portuguesa e 16,9%, em Matemática. Já nos Anos Finais do Ensino Fundamental, apenas 18,8% dos jovens do 9° ano do Ensino Fundamental da rede pública tinham aprendizagem adequada em Matemática, enquanto, em Língua Portuguesa, o percentual era de 38,3%. No Ensino Médio, apenas 8,5% dos jovens da rede pública apresentavam aprendizagem adequada em Matemática, enquanto em Língua Portuguesa esse percentual era de 35,2%. Por outro lado, 58,6% dos estudantes estavam abaixo do básico, em Matemática, e 31,2% no mesmo patamar em Língua Portuguesa.

Acesso à Educação Profissional e Tecnológica (EPT)

Outro destaque do Anuário é a evolução das matrículas da Educação Profissional e Tecnológica (EPT). No nível médio, as matrículas mais que dobraram em dez anos - de 764 mil, em 2015, para 1,58 milhão, em 2025. Só no último ano, houve um aumento recorde de 244 mil matrículas. Os eixos de Gestão e Negócios (499 mil alunos) e Informação e Comunicação (362 mil) somaram, em 2025, mais da metade das vagas da EPT de nível médio no Brasil. A oferta, no entanto, é desigual entre os estados. O Piauí lidera com 62,6% dos alunos no Ensino Médio técnico. Na outra ponta, no Amazonas, representam apenas 5,9% das matrículas na modalidade. Todos os dados deste parágrafo são referentes aos alunos matriculados no Ensino Profissional e Tecnológico (EPT) sem contabilizar a Qualificação Profissional.

Anuário 2026

O Anuário Brasileiro da Educação Básica 2026 reúne dados e séries históricas dos últimos 10 anos dos principais indicadores da Educação Básica (Educação Infantil, Ensino Fundamental, Ensino Médio, Ensino Médio Profissional e Tecnológico e Educação de Jovens e Adultos) no Brasil, em 26 estados e no Distrito Federal. Há também um conteúdo especial com dados dos últimos 20 anos da Educação Básica brasileira. Números sobre acesso, aprendizagem, infraestrutura, gestão escolar, gestão dos sistemas educacionais, educação inclusiva e equidade étnico-racial estão organizados em gráficos e tabelas, navegáveis e disponíveis para download na versão digital.

"O Anuário Brasileiro da Educação Básica é uma importante ferramenta de monitoramento e diagnóstico da nossa educação. O material organiza, em um só espaço, dados referendados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas (lnep), Ministério da Educação (MEC) e Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Neste período de eleições, cumpre o papel de acompanhar a evolução dos indicadores, comparar resultados entre unidades federativas e regiões e qualificar o debate público com evidências", afirma Luciano Monteiro, diretor executivo da Fundação Santillana.

Todos Pela Educação é uma organização independente que faz advocacy pela Educação Básica no Brasil. Nosso foco é atuar para que o poder público formule e implemente políticas públicas educacionais de maneira mais efetiva. Não temos ligação com partidos políticos nem interesses privados. Somos financiados unicamente por doações voluntárias de pessoas e organizações. Temos autonomia para desafiar, propor, questionar e cobrar o que precisa ser mudado, sempre com base em estudos e evidências concretas.

Fundação Santillana, comprometida com a Educação, atua na superação das desigualdades educacionais, certa de que esse é o motor para o desenvolvimento de um país mais justo, democrático, inclusivo e sustentável. As ações promovidas compreendem a disseminação de conhecimentos para munir gestores de instituições públicas e privadas, professores e a sociedade civil com informações de qualidade em defesa da Educação de excelência para todos. Para tal, caminha ao lado de educadores e pesquisadores que constroem saberes na academia e nas salas de aula, sempre na fronteira do conhecimento. Também se dedica a parcerias com organizações nacionais e internacionais. Além disso, a Fundação Santillana realiza e apoia ações que contribuem para o desenvolvimento da Educação, incentivando a produção e a difusão de conhecimentos sobre temas centrais das políticas educacionais, do ensino e da aprendizagem. Fomenta ainda o debate plural sobre desafios e soluções compartilhados por gestores, professores, alunos e famílias em diferentes instâncias e regiões por meio da divulgação de análises, ideias, indicadores e boas práticas nas políticas públicas, assim como incentiva premiações que valorizam e reconhecem projetos de Educação relevantes em diversas áreas.

Moderna atua há mais de 50 anos com o compromisso de educar para um mundo em constante movimento. Uma empresa que sempre se renova para atender às demandas reais da educação pública, trabalhando permanentemente para levar a professores, a gestores e a alunos uma proposta educacional efetiva e alinhada com as necessidades brasileiras, principalmente em sua atuação e liderança no Programa Nacional do Livro e do Material Didático (PNLD). Para garantir conteúdos de qualidade, conta com autores e especialistas que conhecem a realidade da escola brasileira e suas particularidades regionais. Por isso, investe em pesquisa, inovação e metodologias para produzir materiais efetivos a milhões de estudantes, produzidos por uma equipe dedicada exclusivamente ao desenvolvimento da educação pública. A Moderna é parte do Grupo Santillana, empresa educativa líder em conhecimento, inovação e tecnologia educacional na América Latina. Com presença em 19 países, a companhia tem um forte compromisso com a agenda da sustentabilidade e tem o propósito de contribuir para uma sociedade inclusiva, diversa e equitativa.