Notícia: Ensino médio técnico: formação que abre portas

Ensino médio técnico: formação que abre portas

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Kaique em aula prática de laboratório, onde o contato com a rotina da indústria dá sentido à formação técnica. Foto: Divulgação

Um em cada quatro jovens de 14 a 29 anos no Brasil não tem interesse em estudar. Esse desinteresse, ao lado da necessidade de trabalhar, são um dos principais motivos que tiram adolescentes da escola, principalmente nos anos finais do ensino médio.

7,7 milhões de jovens de 14 a 29 anos não haviam completado o ensino médio em 2025. A evasão se concentra nos anos finais com pico de 20% aos 17 anos. Os dados são da Pnad Contínua Educação, divulgada pelo IBGE em junho de 2026.

Na tentativa de mudar esse cenário, o Brasil aprovou, em 2024, uma nova etapa da Reforma do Ensino Médio, com mudanças que passaram a valer a partir de 2025. O Canal Futura já mostrou em detalhes o que essa reforma alterou na prática.

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Dentro dessa reforma, o ensino médio técnico ganhou força como um caminho concreto para manter o jovem estudando. A modalidade de ensino oferece uma formação mais ampla, que une base pedagógica e experiência prática no mercado de trabalho.

Entre teoria e prática: uma formação conectada com o futuro

Para Cassia Cruz, gerente de Educação do SENAI-SP, essa conexão entre teoria e prática traz benefícios que vão além da formação técnica em si. 

"O aluno tem uma formação integral completa, consegue dar significado ao que aprendeu na educação básica e aplicar isso imediatamente. Isso o habilita para fazer um curso superior munido de mais informações e conhecimento, entrando de forma mais segura, preparada e com mais chances de permanecer", destaca Cassia. 

É esse modelo que Kaique de Oliveira Medeiros, de 17 anos, vive na prática. Inspirado pelo pai, que foi metalúrgico por mais de duas décadas, e pela mãe, que trabalhou na indústria de cosméticos, ele decidiu seguir um caminho parecido. Hoje cursa o 3º ano do ensino médio técnico em biotecnologia, na Escola SESI Tatuapé e no SENAI Bom Retiro, e já percebe quantas portas essa formação pode abrir. 

"Os professores e as atividades que temos no SENAI nos deixam cientes do que gostamos e do que não gostamos, facilitando na hora de escolher uma futura formação ou na busca de um emprego", conta Kaique.

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Inspirado pelos pais, que vieram da indústria, Kaique planeja entrar no mercado ainda na faculdade. Foto: Divulgação

"Em todas as aulas nos laboratórios, somos ensinados a agir como se estivéssemos em um meio profissional, o que já molda a nossa perspectiva e responsabilidade como estudantes que em breve estarão no mercado de trabalho." , complementa o estudante.

Por que o ensino médio técnico cresce tanto no Brasil

Segundo o Censo Escolar 2025 (Inep/MEC), as matrículas em educação profissional chegaram a 3,2 milhões, um aumento de 68,5% em relação a 2021. Entre os estudantes do ensino médio regular da rede pública, a proporção com curso técnico articulado passou de cerca de 10% no período pós-pandemia para 20,1% em 2025, o dobro.

Para Cassia, esse crescimento reflete uma mudança estrutural na forma como o país enxerga a formação técnica, historicamente tratada como "segunda opção" diante do ensino acadêmico.

Parte desse avanço, segundo ela, vem de políticas públicas voltadas ao setor. A gerente de Educação do SENAI-SP cita o Novo Plano Nacional de Educação (PNE) como um dos direcionadores do aumento de vagas em cursos técnicos no país, movimento que acompanha uma tendência observada em outras potências mundiais, que investem fortemente na educação profissional, sobretudo industrial.

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Cassia Cruz, gerente de Educação do SENAI-SP, defende que formação para o mercado e para a vida não se dissociam. Foto: Divulgação

Ainda assim, Cassia avalia que o Brasil está bem posicionado se comparado a referências internacionais na educação profissional. O SENAI-SP mantém um núcleo de inteligência de mercado que cruza dados internos com bases internacionais para atualizar perfis profissionais e mapear as demandas do mercado. O que, na leitura dela, coloca o país à frente de boa parte das nações que também investem em educação profissional.

Esse cuidado em ajustar a oferta às demandas reais do mercado, explica a gerente, não é só uma questão técnica, mas uma responsabilidade com o futuro de cada estudante. 

"Se eu tiver uma oferta de cursos superestimada, estou tirando a oportunidade desse jovem de ingressar na sua formação. Temos que reorganizar a oferta a partir das demandas reais do mercado", afirma.

Como funciona o ensino médio no SESI e no SENAI

O modelo integrado une a formação geral básica, oferecida pelo SESI-SP, à formação técnica do SENAI-SP.

A gerente Cassia explica: "São mais de 80% do total de matrículas de todos os cursos do SENAI-SP. Não somente a parceria com a SEDUC, não somente Cursos Técnicos. Todos os cursos técnico profissionais (FIC/CAI/CT/CST)".

O Ensino Médio do SESI-SP é gratuito e as vagas são preenchidas por processo seletivo, com prioridade para filhos de trabalhadores da indústria vinculados a empresas do SESI-SP.

Com a Reforma do Ensino Médio, houve a ampliação da carga horária mínima da formação geral básica para 2.100 horas nos cursos técnicos integrados, até 300 horas a mais do que o previsto antes da reforma. Segundo Cassia, a mudança pouco impactou a rotina do estudante, que segue com dias divididos entre o SENAI e a instituição de formação geral básica. 

SENAI Biotecnologia

Ela também rebate a ideia de que o ensino médio técnico reduziria a formação do adolescente a uma preparação restrita ao mercado, deixando em segundo plano outras competências.

"Não existe formação voltada para o mercado de trabalho que não desenvolva integralmente esse jovem, trabalhando habilidades socioemocionais como resiliência, relações interpessoais, criatividade, pensamento crítico e raciocínio lógico. Está tudo interligado", defende.

O que a indústria espera de quem sai do ensino médio técnico

Roberto Xavier, gerente executivo de Educação do SESI-SP, reforça que a formação vai além do domínio técnico. "Buscamos uma formação integral do aluno, preparado para os reais desafios que vivemos hoje", afirma Roberto.

Segundo ele, o setor produtivo valoriza cada vez mais competências comportamentais além do conhecimento técnico em si. 

"Capacidade de trabalhar em grupo, de argumentação, de resolução de problemas complexos, raciocínio lógico e conhecimento ampliado de tecnologia estão entre as competências mais valorizadas", lista Roberto.

Roberto Xavier
Roberto Xavier, gerente executivo de Educação do SESI-SP, diz que a indústria já exige mais do que técnica. Foto: Divulgação

Mas ele também reconhece que ainda existe uma distância entre o que as empresas esperam e o que os jovens entregam no primeiro emprego.

"Hoje as competências e qualificações técnicas estão mais adequadas ao que está sendo exigido, mas nas competências comportamentais, sobretudo resiliência e autonomia, há um gap muito grande", pondera o gerente do SESI-SP.

Para reduzir essa distância, o SESI-SP revisa o currículo ano a ano. "Temos um modelo que pode servir de referência para outras redes: uma engenharia pedagógica que mapeia as demandas comportamentais e técnicas das indústrias e as inclui no currículo", explica Roberto. Segundo ele, essas informações passam a integrar a política curricular das escolas, e não ficam restritas a um levantamento pontual.

Os números mostram resultados concretos: 64,4% ingressam no mercado de trabalho e 86,3% seguem estudando no ensino superior. Os dados são da pesquisa de egressos, realizada pelo DN (2025).

Da sala de aula ao mercado: a experiência de quem vive o modelo

É essa combinação entre teoria e prática que Kaique sente no dia a dia. O estudante de 17 anos cursa o 3º ano do ensino médio técnico de biotecnologia na Escola SESI Tatuapé e SENAI Bom Retiro.

Para ele, a experiência no laboratório e o aprofundamento em química e biologia são diferenciais que só o ensino técnico ofereceu. "Eu não poderia ter ideia de quantas portas se abririam, não só no meio profissional, mas também acadêmico", diz o estudante. É essa mesma formação que, segundo ele, já muda a forma como pensa o próprio futuro.

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Kaique, de 17 anos, cursa o técnico em biotecnologia e já percebe quantas portas essa formação pode abrir. Foto: Divulgação

Kaique planeja entrar no mercado de trabalho ainda durante a faculdade, usando o que aprendeu no técnico. Na visão dele, essa é a força do modelo. "O ensino técnico é essencial para moldar profissionais capacitados e responsáveis para ingressar na indústria", resume.

Formação técnica e formação para a vida não competem entre si, andam juntas. Para famílias e estudantes que consideram esse caminho, conheça o funcionamento do Ensino Médio no SESI-SP: unidades, cursos técnicos e processo de ingresso. 

Perguntas frequentes sobre o ensino médio técnico

O que é o ensino médio técnico do SESI-SP e SENAI-SP?

É um modelo integrado que une a formação geral básica, oferecida pelo SESI-SP, à formação técnica do SENAI-SP, com o estudante dividindo a semana entre as duas instituições.

Como funciona a prova do SESI para o ensino médio técnico?

Quando existem vagas na unidade escolar, o ingresso ocorre por processo seletivo, com prioridade para filhos de trabalhadores de empresas contribuintes do SESI-SP. Os demais candidatos são chamados quando não há demanda dessa categoria. 

Quem pode fazer o ensino médio técnico no SESI-SP e no SENAI-SP?

As vagas são destinadas prioritariamente a filhos de trabalhadores de empresas contribuintes do SESI-SP e, quando não preenchidas por esse público, ficam abertas aos demais interessados. A maior parte das turmas é formada por estudantes que já cursam a rede SESI-SP desde os anos iniciais, e o Ensino Médio é gratuito. 

O ensino médio técnico prejudica a formação geral do aluno?

Segundo Cassia, não: a formação é pensada para desenvolver o aluno de forma integral, com foco também em resiliência, criatividade e pensamento crítico, além do conteúdo técnico.

O ensino médio técnico garante emprego?

Segundo dados do SESI-SP, 84% dos alunos entram no ensino superior em até um ano após concluir o curso, e mais de 80% conseguem emprego na própria área de formação.

Para famílias e estudantes que consideram esse caminho, conhecer o funcionamento do Ensino Médio no SESI-SP é um bom ponto de partida, com informações sobre unidades e o processo de ingresso. Entre laboratórios, projetos reais e a proximidade com a indústria, o modelo mostra que formação técnica e formação para a vida caminham juntas, e não uma no lugar da outra.