Notícia: No Dia dos Professores, estudantes da EJA destacam a importância dos educadores em suas trajetórias escolares

No Dia dos Professores, estudantes da EJA destacam a importância dos educadores em suas trajetórias escolares

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Conheça também os projetos, cursos e materiais desenvolvidos pela Fundação Roberto Marinho para apoiar o trabalho dos profissionais da educação 

Fotografia colorida em plano médio e em ângulo frontal de um grande grupo de aproximadamente 22 pessoas, em sua grande maioria mulheres, posando juntas e sorrindo, aglomeradas em um ambiente interno ou semiaberto, possivelmente à noite. Quase todos vestem camisetas brancas de manga curta iguais ou semelhantes.
Professor Nandson com estudantes da escola da Fundação Roberto Marinho, na Maré. Foto: Amanda Nunes.

O Dia dos Professores é celebrado no Brasil em 15 de outubro, reconhecendo a importância dos profissionais de educação para o desenvolvimento do país. Segundo o Censo Escolar de 2025, são mais de 1,7 milhão de professores apenas na rede pública, considerando as etapas do ensino fundamental e ensino médio. Há, ainda, aqueles que atuam na educação infantil, no ensino superior, além dos educadores sociais que trabalham com a educação fora do contexto escolar.  

Andréa Ignácio é uma das milhares de professoras brasileiras. Ela trabalha há mais de dez anos na escola de educação de jovens e adultos (EJA) da Fundação Roberto Marinho. Hoje dá aulas no local onde cresceu, no Conjunto de Favelas da Maré, Zona Norte do Rio de Janeiro. Apesar do desejo de trabalhar com a docência existir desde a infância, não foi fácil chegar à profissão.  

“Pensei que com a graduação conseguiria um emprego melhor. Então estudei no pré-vestibular comunitário e entrei na UERJ [Universidade do Estado do Rio de Janeiro] para fazer o curso de Letras. Nesse momento retomei meu sonho de me tornar professora”, conta. Ela ingressou na universidade depois dos 30 anos. 

Na escola da Fundação Roberto Marinho, Andréa trabalha em duas turmas, uma de ensino fundamental e outra de ensino médio, localizadas nas comunidades Vila do Pinheiro e Conjunto Esperança. Assim como em outras escolas da Maré, a interrupção das aulas por conta de operações é algo recorrente, que impacta diretamente na aprendizagem e na saúde mental. 

Além disso, as características da EJA são também desafiadoras. As turmas normalmente têm perfis variados e pessoas de todas as idades. Há estudantes que estão há muito tempo afastados da escola e outros, mais jovens, que migraram do ensino regular para a modalidade. Por serem adultos, a maioria precisa conciliar os estudos com outras obrigações, como o trabalho, o cuidado dos filhos e os afazeres domésticos. Os próprios estudantes dizem se tratar de uma dinâmica difícil, que mistura cansaço, vontade de se superar, desânimo e esperança.  

“Meu dia a dia na escola é muito bom, meus colegas de sala se ajudam e a professora é uma pessoa maravilhosa, ajuda ao máximo que pode. Mas é muito tempo sem estudar, então tem coisas que a gente nem lembra mais. Não é fácil", relata Andréa de Fátima, de 48 anos, aluna do ensino fundamental da EJA.  

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Tem dia que a gente não entende e quando eu não entendo, fico frustrada, chateada. A Andréa vem e acalma, sempre diz: você consegue. Ela sempre fala essa frase bonita.

Andréa de Fátima, estudante da EJA da Fundação Roberto Marinho.

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Moradora da Vila do João, na Maré, ela ficou quase 30 anos fora da escola. Decidiu retomar os estudos por conta da dificuldade em conseguir trabalho. No caminho, descobriu que também era algo importante para ela conhecer o mundo e a si mesma. “Todo mundo me deu força para terminar dessa vez, que é a segunda vez que eu tento, mas agora eu não vou desistir, eu vou continuar até o fim”.  

Aluno do ensino médio, Lucas Barbosa, de 24 anos, também está na turma da professora Andréa Ignácio. Foram seis anos fora da escola até retomar os estudos na EJA. “Eu comecei a perder as esperanças de terminar porque eu sofri bastante na escola. Comecei a pensar que não era capaz e isso foi me entristecendo”, lembra o jovem.  

Para Lucas, o apoio da família, o incentivo da professora e o acolhimento que encontra nos colegas de turma são fundamentais para ele ter conseguido voltar e permanecer estudando.

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O meu dia a dia na escola é muito leve. Saber que tem pessoas ali que passam pelo mesmo que você te dá força. Ter uma professora, uma pessoa que terminou os estudos e te enxerga como alguém capaz, também é algo que me motiva a continuar estudando.

Lucas Barbosa, estudante da EJA da Fundação Roberto Marinho.

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Se por um lado transborda admiração, por outro o que existe é amor. É assim que a professora Andréa Ignácio resume sua atuação. “Amo o que faço. Eu me emociono quando recebo mensagem de estudantes compartilhando que estão fazendo faculdade ou me agradecendo por ter acreditado neles”, conta a professora. 

Uma escola de afeto, uma educação que transforma 

Ao longo dos últimos 15 anos, a Fundação Roberto Marinho mantém uma escola de EJA, com turmas na Maré e em Del Castilho, na Zona Norte do Rio, e no Porto da Pedra, em São Gonçalo, município da região metropolitana. Por meio de uma metodologia própria, que possibilita a otimização do currículo e a aceleração da aprendizagem, os alunos podem concluir o ensino fundamental ou o ensino médio em dois anos.   
 

Fotografia colorida em plano geral e em ângulo frontal de um grupo de cerca de 13 pessoas (sendo nove mulheres e quatro homens) posando alegremente para uma foto dentro de uma sala de aula. Eles estão aglomerados no centro do espaço, demonstrando descontração e afeto. A maioria veste camisetas brancas de manga curta com um pequeno logotipo vermelho no lado esquerdo do peito.
A professora Andréa com uma de suas turmas, na Maré. Foto: Amanda Nunes.

“Eu sempre estudei em escola pública e tinha duas coisas que me tocavam muito: o afeto que eu recebia dos meus professores e a sabedoria, aquela capacidade de conversar sobre qualquer assunto. Isso me capturava, então desde pequeno eu pensava que também queria ser professor”, recorda Nandson Ribeiro, professor da escola da Fundação Roberto Marinho. 

Como aluno, Nandson experimentou uma escola que representava afeto e cuidado, e decidiu que também levaria isso para a sua atuação profissional. “Eu vi como um bom professor consegue transformar a vida de uma pessoa, ser o porto seguro de um estudante que, porventura, esteja passando por um momento desafiador na sua vida”.  

Hoje ele dá aula no ensino regular para crianças e adolescentes do ensino fundamental e, também, é professor de uma turma de ensino médio da EJA, na escola da Fundação Roberto Marinho. Enquanto a dificuldade de captar a atenção é um dos grandes desafios com os estudantes mais novos, ele percebe que o cansaço é a maior dificuldade na sala de aula da EJA.  

Muitos alunos enfrentam jornadas duplas ou triplas para continuar estudando. Também se veem inseguros e pouco confiantes nessa retomada. “Eu tento fazer um resgate de autoestima, para que eles percebam que eles são capazes sim”, ressalta. 

Morador do Morro do Timbau, na Maré, Victor Barbosa, de 32 anos, deixou a escola quando estava no ensino fundamental. Ele conta que a falta de incentivo foi determinante. Victor foi perdendo o interesse e deixando de frequentar as aulas. “Quando me dei conta, eu já não estava mais na escola. Nem sei exatamente como eu parei”, diz.  

Por muito tempo, voltar à escola nem passava por sua cabeça, o que mudou com o nascimento da filha. Depois disso, ele tentou retomar os estudos algumas vezes. Em 2025, veio a primeira vitória: a conclusão do ensino fundamental na EJA. No começo desse ano, deu um novo passo e se matriculou no ensino médio. Victor compartilha a sala de aula com a esposa, que também está buscando terminar os estudos.  

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O Nandson é um professor maravilhoso. A forma de ensinar é muito boa, porque faz a gente entender, interagir, tirar dúvida. Quando a gente não sabe, pergunta. Ele volta e ensina até a gente aprender.

Victor Barbosa, estudante da EJA da Fundação Roberto Marinho.

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Conheça a escola da Fundação Roberto Marinho 

Apoiar o professor é fortalecer a educação 

Há quase 50 anos, a Fundação Roberto Marinho trabalha orientada pela compreensão de que a educação é o caminho para combater as desigualdades sociais. Por isso, ao longo de sua história desenvolveu projetos, materiais e metodologias que pudessem apoiar os profissionais de educação no seu fazer diário em sala de aula e nas comunidades.  

Entre as iniciativas de destaque está a co.educa, plataforma gratuita disponível para todo o país. O espaço reúne vídeos, podcasts e artigos organizados em coleções personalizadas. A pesquisa pode ser filtrada por segmento da educação, área do conhecimento ou competências da BNCC, oferecendo materiais confiáveis de aprofundamento para estudantes e professores. 

O Canal Futura, já reconhecido por suas videoaulas que traduzem o currículo escolar de forma acessível, também oferece uma série de cursos online com certificação para docentes. As formações abordam os desafios reais do universo escolar, como a prevenção de violências, o desenvolvimento de habilidades digitais e a educação antirracista. 

Pensando na transição da juventude, o projeto Desponta prepara adolescentes para oportunidades de estudo e trabalho. O programa oferece planos de atividades que auxiliam os professores no trabalho de competências socioemocionais e habilidades digitais, ajudando a recompor aprendizagens e a ampliar o repertório dos jovens sobre o mercado profissional. 

A atuação ganha ainda mais relevância com programas de educação complementar, como o A Cor da Cultura, que promove a valorização da história e cultura afro-brasileira e indígena nas escolas; e o Crescer sem Violência, dedicado à prevenção e ao enfrentamento das violações de direitos de crianças e adolescentes. 

Acompanhe a Fundação Roberto Marinho nas redes sociais e saiba mais sobre essas iniciativas!