Notícia: Conexão lança episódios especiais sobre a 4ª edição do Educação Já

Conexão lança episódios especiais sobre a 4ª edição do Educação Já

Evento abordou a implementação de políticas públicas na Educação, além de debater os impactos da inteligência artificial e da crise climática no ensino básico

A quarta edição do Educação Já reuniu professores, especialistas, lideranças da sociedade civil e autoridades políticas para conversar sobre os principais desafios e transformações da educação básica no Brasil. O evento, organizado pelo Todos Pela Educação, foi realizado em São Paulo, no dia 13 de março. Você pode conferir tudo que aconteceu por lá em um episódio especial do programa Conexão, que irá ao ar nesta segunda-feira, 31.

O Conexão exibirá matérias especiais sobre o evento nas próximas semanas. Acompanhe na programação do Canal Futura:  

  • 14/04 - Crise climática e educação;  
  • 21/04 - Implementação de políticas públicas na educação;  
  • 28/04 - Política de educação étnico-racial e quilombola; 
  • 05/05 - Prova Nacional Docente; 
  • 19/05 - BNCC; 
  • 26/05 - Ensino Médio; 
  • 02/06 - Educação básica e alfabetização.

Sobre o Educação Já

A programação priorizou o debate sobre a criação, implementação e avaliação de políticas públicas de educação em nível federal, estadual e municipal. Os 12 painéis trataram sobre temas importantes para a agenda da educação na atualidade, como primeira infância, alfabetização, ensino médio, prova nacional docente, base nacional comum curricular (BNCC), crise climática, inteligência artificial e educação étnico-racial e quilombola.

Confira alguns destaques do Educação Já 2025 a seguir!

A agenda do MEC na educação básica

O ministro da Educação, Camilo Santana, abriu o evento ao lado do jornalista Antônio Gois, fazendo um balanço das ações do Ministério, que chegou à metade do atual mandato. Segundo o ministro, o período foi dedicado ao planejamento e à retomada do diálogo com estados, municípios, sociedade civil, educadores e estudantes.

Santana destacou a prioridade dada à educação básica, especialmente diante do dado alarmante de que, aproximadamente, um terço da população brasileira não concluiu os estudos – são 68 milhões de pessoas, com 15 anos ou mais, fora da escola sem concluir a educação básica (Pnad Contínua, 2023). 

Um dos principais avanços, segundo o ministro, é o Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa, que tem como meta garantir que todas as crianças estejam alfabetizadas até o final do 2º ano do ensino fundamental. “Quando a criança não aprende a ler e escrever na idade certa, isso impacta toda a sua trajetória escolar”, alertou.

Outro destaque foi a criação do programa Pé de Meia, uma poupança destinada a combater a evasão escolar no ensino médio. Segundo Santana, cerca de 480 mil jovens abandonam a escola pública todos os anos, em grande parte por dificuldades financeiras. Além do ensino regular, o programa também contempla estudantes da Educação de Jovens e Adultos (EJA). Lançado no começo de 2024, o Pé de Meia será avaliado ainda este ano para medir seus impactos.

O balanço incluiu, ainda, o recente lançamento do Partiu IF – Programa Nacional de Promoção de Igualdade de Oportunidades para Acesso de Estudantes da Rede Pública de Ensino à Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica. Por meio da iniciativa, estudantes do 9º ano do ensino fundamental público, que pertencem a grupos prioritários, poderão participar de um curso de recuperação de aprendizagem e preparação para ingresso no ensino técnico integrado. 

Integração de dados para a primeira infância

Durante o evento, a ministra de Gestão e Inovação, Esther Dweck, apresentou o projeto de integração de dados da primeira infância, que vai unificar informações de saúde, educação e assistência social de crianças de 0 a 6 anos.  

De acordo com a ministra, o portal unificado da primeira infância será lançado até o final do ano, facilitando o acesso das famílias à direitos e serviços. O sistema também vai permitir um melhor monitoramento de vacinas, vagas em creches e outros atendimentos à primeira infância, contribuindo para o planejamento e a avaliação de políticas públicas direcionadas a este grupo. 

O debate contou ainda com experiências locais bem-sucedidas. O prefeito de Recife, João Campos, apresentou o aplicativo Conecta Recife, que agora inclui a Caderneta da Criança — ferramenta que centraliza informações de vacinação, consultas médicas e frequência escolar.
Já o governador do Piauí, Rafael Fonteles, destacou o programa Piauí Primeira Infância, em fase piloto, que também integra dados de diversas áreas para monitorar o desenvolvimento infantil. 

Os efeitos da crise climática na educação

O painel sobre crise climática e educação trouxe dados alarmantes. Entre janeiro de 2022 e junho de 2024, mais de 400 milhões de estudantes foram impactados por fechamentos de escolas devido a eventos climáticos extremos, como enchentes e ondas de calor. A informação é do relatório "Escolhendo o Nosso Futuro: Ensino para a Ação Climática", do Banco Mundial.
O economista Sergio Venegas destacou que alunos de países pobres perderam, em média, 45 dias letivos, enquanto nos países ricos essa média foi de apenas 6 dias. A diferença escancara como os países e as comunidades são afetados de forma desigual. Também demonstra como as mudanças climáticas podem aprofundar as desigualdades, inclusive na educação, prejudicando, ainda mais, os mais vulneráveis.  
“Se você tem uma sala de aula com 30 estudantes e chega a 38 graus, como os estudos demonstram hoje, acabou a aprendizagem”, avalia Rossieli Soares, Secretário de Educação do Pará. O Estado vive uma complexa dinâmica guiada pelas cheias e secas dos rios. Além de dificultar o trânsito das pessoas, eventos extremos, como a seca recorde ocorrida em 2024, obrigam famílias a mudar, afastando crianças e adolescentes das unidades de ensino.

Duramente afetada pela crise no clima, a Educação é, paradoxalmente, parte da solução. Em sua participação no painel, Maria Soleded, especialista em Educação e Mudanças Climáticas do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), defendeu a importância de levar o assunto para as escolas, preparando professores, adequando materiais didáticos e incluindo a educação ambiental e climática nos currículos escolares. Para a especialista, a educação é o caminho para desenvolver a resiliência necessária entre os estudantes para que eles sejam capazes de lidar com todos os impactos que o clima tem e terá em suas vidas e em suas comunidades.

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