Publicações: População de 15+ fora da escola, demanda potencial por EJA e transições para o trabalho: diagnóstico e evidências para políticas públicas - Relatório Nacional

População de 15+ fora da escola, demanda potencial por EJA e transições para o trabalho: diagnóstico e evidências para políticas públicas - Relatório Nacional

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O Brasil tem 63,9 milhões jovens e adultos fora da escola sem educação básica completa — 37,3% da população com 15 anos ou mais — mais do que a população de muitos países. Desse total, 44,7 milhões não concluíram o ensino fundamental e 19,3 milhões pararam antes de completar o ensino médio (valores arredondados independentemente). São desproporcionalmente pretos ou pardos (63,9%), com participação equilibrada entre homens e mulheres (49,2% de mulheres).

Esse grupo não está sendo escolarizado. Está envelhecendo e morrendo. A demanda caiu 16,0% desde 2012, mas apenas 8% dessa redução se deve à EJA. Mais da metade se explica por mortalidade — o Brasil está perdendo essa população, não escolarizando-a.

O custo é concreto. A taxa de pobreza entre quem não completou a educação básica é 1,8 vezes maior do que entre quem a completou. A renda domiciliar per capita dessa população corresponde a apenas 51,4% da renda dos demais. Em termos agregados, estima-se R$ 66 bilhões por ano em renda perdida. 

A resposta pública é insuficiente. A Educação de Jovens e Adultos (EJA) atende hoje apenas 1,5% da demanda. Resgatar essa população exige reconhecer que os motivos para não estudar diferem radicalmente por gênero. Para os homens, o principal obstáculo é o trabalho. Para as mulheres, são os filhos e as responsabilidades de cuidado. Sem oferta de creches, horários flexíveis e modelos que conciliem estudo, trabalho e família, qualquer programa de retorno alcançará apenas uma fração de quem precisa.

O novo PNE e o ciclo político que se abre em 2026 representam, possivelmente, a última oportunidade de alcançar as gerações que mais precisam dessa política — antes que a passagem do tempo resolva o problema da pior forma possível.