EJA: nunca é tarde para voltar a estudar
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68 milhões de brasileiros não concluíram a educação básica. Entenda por que as matrículas na EJA caem e como a Fundação Bradesco amplia o acesso gratuito aos estudos

Trabalhar cedo. Cuidar dos irmãos, do pai, do filho. Ajudar no sustento da casa. Morar longe da escola. Para muitos brasileiros interromper os estudos não foi uma escolha, foi uma necessidade. E por trás de cada trajetória interrompida existe um direito que não foi garantido.
No Brasil, cerca de 68 milhões de pessoas com 18 anos ou mais estão fora da escola sem ter concluído a educação básica. O equivalente a 44% da população adulta do país, segundo a PNAD Contínua divulgada pelo Inep (2024). Só entre jovens de 14 a 29 anos, são 8,7 milhões nessa situação.
A Educação de Jovens e Adultos (EJA) existe justamente para abrir esse caminho de volta. E para muita gente, recomeçar os estudos na vida adulta é reconquistar algo que vai muito além de um diploma.

Por que tantos brasileiros ficaram para trás?
A evasão escolar no Brasil não é um problema individual, é estrutural. A PNAD Contínua 2024 do IBGE mostra que, entre jovens de 14 a 29 anos que abandonaram a escola, 42% citaram a necessidade de trabalhar como principal motivo. Entre as mulheres, gravidez (23,4%) e afazeres domésticos ou cuidados com crianças e idosos (8,8%) também estão entre as causas mais frequentes.
Como é o caso de Andrea de Souza, aluna da EJA da Fundação Bradesco (unidade de Manaus/AM), que interrompeu os estudos para cuidar dos filhos.
Somados, trabalho produtivo, responsabilidades reprodutivas e tarefas de cuidado respondem por mais da metade da evasão feminina no país.
E as mulheres, como destaca Barbara Frasseto, Gerente de Inovação Pedagógica da Fundação Bradesco, gastam cerca do dobro do tempo dos homens nessas atividades. O que se torna um entrave grande tanto para o abandono quanto para o retorno à escola.
A desigualdade racial aprofunda ainda mais esse cenário. Apenas 50% da população negra com 25 anos ou mais concluiu a educação básica, contra 63,4% da população branca (PNAD Contínua 2024). Na EJA no nível fundamental, 79% das matrículas são de estudantes pretos e pardos, segundo Censo Escolar 2024 (Inep/MEC).
"Isso revela uma exclusão estrutural", afirma Barbara. "A EJA tem que ser pensada como uma oferta prioritária, com busca ativa em articulação com organizações comunitárias e locais, para que essas populações possam ter condições de permanecer até a conclusão."

Alta demanda, mas queda nas matrículas
Mesmo com uma demanda potencial de dezenas de milhões de pessoas, as matrículas na EJA vêm caindo. O Censo Escolar 2024 registrou 2,4 milhões de estudantes na modalidade, uma redução de 20,4% em relação a 2020. A queda atinge principalmente a rede pública.

Para Barbara, é preciso entender o que os números revelam. "O problema da redução das matrículas está ligado a uma readequação da oferta."
Ou seja: o recuo não significa falta de interesse. Significa que o curso ainda não chegou onde as pessoas estão no bairro onde moram, no horário em que podem, no formato que a vida permite.
"O primeiro passo é deixar de esperar que o estudante busque espontaneamente a escola e passar a buscar por esses estudantes por meio de articulação com outros órgãos de assistência, empresas e organizações comunitárias, para que a oferta seja voltada para onde as pessoas vivem e trabalham.", defende a gerente de inovação pedagógica da Fundação Bradesco.
A importância de valorizar os saberes

“Um dos maiores equívocos sobre a EJA é tratar o estudante adulto como se ele precisasse recomeçar do princípio. Quem chega à EJA já carrega uma trajetória de trabalho, de vida, de aprendizados informais acumulados ao longo de anos.”, ressalta Barbara.
A gerente de Inovação Pedagógica reforça que o currículo da EJA deve ser adequado e atrativo para esse estudante que já carrega diferentes saberes.
Na Fundação Bradesco, esse princípio orienta toda a proposta pedagógica da EJA: material didático desenvolvido para o perfil de quem trabalha, jornada flexível e formato modular. "Tentamos abarcar a maior parte das dores desses perfis de estudantes sem perder a qualidade do ensino, o vínculo pedagógico e entendimento do momento de vida de cada pessoa."
Os resultados aparecem nos números de permanência. Desde o início da oferta da EJA pela Fundação Bradesco, apenas cerca de 10% dos alunos saíram sem concluir, um índice baixo para uma modalidade historicamente marcada pela evasão.
Mais do que um diploma: uma política de inclusão
Concluir a educação básica na vida adulta transforma mais do que o currículo. Transforma a forma como a pessoa se vê e como se coloca no mundo.
Como afirma Barbara Frasseto: "Concluir os estudos vai muito além da obtenção de um diploma. É uma oportunidade concreta de conquistar melhores oportunidades profissionais e ampliar as possibilidades de geração de renda."
Mas o impacto vai além do individual. Para Barbara, a EJA só cumpre seu papel de inclusão e reparação quando faz isso de forma coletiva e consciente.
"A EJA não cumpre um papel de inclusão e reparação apenas quando oferece vaga, mas quando traz para essa população a consciência de que essa trajetória tem valor e de que ela pode servir de exemplo para outros."
EJA Fundação Bradesco: inscrições abertas
Há quase 70 anos, a Fundação Bradesco transforma vidas por meio da educação gratuita e de qualidade. A EJA faz parte desse compromisso desde 1985, atendendo jovens e adultos que não tiveram acesso ou continuidade aos estudos na idade adequada.
Hoje, a modalidade é oferecida em oito unidades distribuídas pelo país: Osasco (SP), Rio de Janeiro (RJ), Salvador (BA), Natal (RN), Jaboatão dos Guararapes (PE), São Luís (MA), Teresina (PI) e Manaus (AM).
O modelo híbrido e a flexibilidade de jornada fazem da EJA da Fundação Bradesco uma das ofertas mais adaptadas à realidade de quem trabalha e precisa estudar.
As inscrições estão abertas nas oito unidades. As vagas são para o Ensino Médio, com inscrições até 10 de agosto de 2026.
Cada matrícula na EJA é a chance de recomeçar uma história que ficou interrompida e a prova de que nunca é tarde para garantir o que sempre foi um direito.
